Letra de Imenso Potreiro - Luiz Carlos Borges
Imenso Potreiro
Autor Ten.Valentin
Depois que nosso senhor
Balizou o mundo inteiro
Escolheu para potreiro
A invernadinha do fundo
E nesta região do mundo
Cercada rios e oceanos
Soprada pelo minuano
Em forma de coração
Balizou com precisão
O Rio Grande bem pampeano
Ali soltou o seu pingo
E atirou o pala pra traz
Escolheu um capataz
Que tivesse qualidade
E entregou pra eternidade
Esse rincão bem cercado
Pago por ele abençoado
Pra ninguém mais mete a mão
Pois este vasto rincão
É o Rio Grande nosso estado
Nosso Senhor foi-se embora
Pra estância grande do céu
Tapeou na nuca o chapéu
E deu uma olhada para baixo
Sinchando no barbicacho
O aba larga campeiro
E com um vento brasileiro
E um sol de relancina
Deu uma benção divina
Ao seu imenso porteiro
E o capataz dessa estância
Balizou também num upa
Deixando ali na agrupa
Um pedaço da fronteira
E com a parte matreira
Da crina do seu bagual
E tropeando bem ou mal
Depois de balizar tudo
Refugou o gado miúdo
E deixou só o que era especial
Escolheu um lugar pra o rancho
Num local de boa aguada
Não é potreiro é invernada
Não é invernada é o Rio Grande
E por mais que você ande
Dia e noite sem descanso
Lance um olhar como eu lanço
Se vê matos de alto a baixo
Chinas bonitas índios machos
Campo fino e gado manso
Assim foi feito o Rio Grande
Este potreiro abençoado
Cercado por um costado
Pelo oceano bravio
Donde só de navio
Pra chegar neste parapeito
De outra forma não tem jeito
De avião só vindo por cima
Mas pra descer em nossa campina
Tem que chegar com respeito
Pelos fundos tem um Rio
Que dá mais voltas que laço
Descendo dando laçasso
Por ali não passa nada
É sempre cheia a canhada
E a nado não se atravessa
Nem benzimento ou promessa
Não se invade pelos fundos
É uma divisa de mundo
E por ali não tem conversa
Mas entre rios e aceanos
Existe uma linha seca
Mas ésta é fechada de cerca
E por ali não tem perigo
Além do mais meus amigos
Os vizinhos são de estima
Uruguai e Argentina
Gente grande amizade
E de nosso lado as irmandade
Os de Santa Catarina
De mais a mais o Rio Grande
Não precisava divisa
Já tinha aquela baliza
Que nosso senhor cravou
Ele mesmo balizou
E benzeu com água pura
Lavrou a sua escritura
Nos entregou o Rio Grande
Nos deixou fervendo o sangue
Desde o berço a sepultura
Sangue crioulo do Pago
Vindo da raça nativa
Misturado com birivas
Imigrantes índios cru
É preto é branco é xiru
Mas tudo é cria especial
Indiada chucra e bagual
Que com honra as devoções
Conservaram as tradições
Deste Rio Grande imortal.
Depois que nosso senhor
Balizou o mundo inteiro
Escolheu para potreiro
A invernadinha do fundo
E nesta região do mundo
Cercada rios e oceanos
Soprada pelo minuano
Em forma de coração
Balizou com precisão
O Rio Grande bem pampeano
Ali soltou o seu pingo
E atirou o pala pra traz
Escolheu um capataz
Que tivesse qualidade
E entregou pra eternidade
Esse rincão bem cercado
Pago por ele abençoado
Pra ninguém mais mete a mão
Pois este vasto rincão
É o Rio Grande nosso estado
Nosso Senhor foi-se embora
Pra estância grande do céu
Tapeou na nuca o chapéu
E deu uma olhada para baixo
Sinchando no barbicacho
O aba larga campeiro
E com um vento brasileiro
E um sol de relancina
Deu uma benção divina
Ao seu imenso porteiro
E o capataz dessa estância
Balizou também num upa
Deixando ali na agrupa
Um pedaço da fronteira
E com a parte matreira
Da crina do seu bagual
E tropeando bem ou mal
Depois de balizar tudo
Refugou o gado miúdo
E deixou só o que era especial
Escolheu um lugar pra o rancho
Num local de boa aguada
Não é potreiro é invernada
Não é invernada é o Rio Grande
E por mais que você ande
Dia e noite sem descanso
Lance um olhar como eu lanço
Se vê matos de alto a baixo
Chinas bonitas índios machos
Campo fino e gado manso
Assim foi feito o Rio Grande
Este potreiro abençoado
Cercado por um costado
Pelo oceano bravio
Donde só de navio
Pra chegar neste parapeito
De outra forma não tem jeito
De avião só vindo por cima
Mas pra descer em nossa campina
Tem que chegar com respeito
Pelos fundos tem um Rio
Que dá mais voltas que laço
Descendo dando laçasso
Por ali não passa nada
É sempre cheia a canhada
E a nado não se atravessa
Nem benzimento ou promessa
Não se invade pelos fundos
É uma divisa de mundo
E por ali não tem conversa
Mas entre rios e aceanos
Existe uma linha seca
Mas ésta é fechada de cerca
E por ali não tem perigo
Além do mais meus amigos
Os vizinhos são de estima
Uruguai e Argentina
Gente grande amizade
E de nosso lado as irmandade
Os de Santa Catarina
De mais a mais o Rio Grande
Não precisava divisa
Já tinha aquela baliza
Que nosso senhor cravou
Ele mesmo balizou
E benzeu com água pura
Lavrou a sua escritura
Nos entregou o Rio Grande
Nos deixou fervendo o sangue
Desde o berço a sepultura
Sangue crioulo do Pago
Vindo da raça nativa
Misturado com birivas
Imigrantes índios cru
É preto é branco é xiru
Mas tudo é cria especial
Indiada chucra e bagual
Que com honra as devoções
Conservaram as tradições
Deste Rio Grande imortal.