Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Esparramando o Xergão

Jeison Reis · De Tempo e Comparsa

Capa de De Tempo e Comparsa
Jeison Reis

Esparramando o Xergão

De Tempo e Comparsa · 2017
Letra: João Fontoura Música: Zulmar Benitez Meu berço foi um arreio, meu altar uma mangueira Na rude sina campeira, de potreador veterano Pois não nasci por engano, vim para o mundo dos bastos Quando a pátria se acordava e um ventena corcoveva roçando a marca nos pastos. Fui parido pela pampa, índia guapa e chimarrona Pra lamber sal em carona, mapeando a vida em tropeada Bebendo o sol nas aguadas, “dum Martin Fierro” na estampa E ao som de cascos de guampas, fiz as primeiras pajadas. Quando o primeiro charrua de lança saltava em pêlo Para fazer o sinuelo, dos alçados do meu pago O primeiro mate amargo com as bênçãos de Tupã E o sol beijou a manhã para cumprir seu encargo. Por isso abro meu peito, meu verso ao mundo levanto Esclareço no meu canto, sem deixar verdade a soga Pois jamais alguém prorroga o pulsar de um coração E a verdadeira razão, não usa anel e nem toga. Já hoje vejo a Pátria espoliada e repartida Mudaram-se as leis da lida, não é mais o Patrão que manda Quem tem dinheiro comanda apojando falsa ilusão Sem adubo nas raízes vão forjando cicatrizes, mangueira, campo e galpão.
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