Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Recordando a Infância

Jardel Borba & Grupo Brasil de Bombacha · Com a Alma Fandangueira

Capa de Com a Alma Fandangueira
Jardel Borba & Grupo Brasil de Bombacha

Recordando a Infância

Com a Alma Fandangueira · 2013
(Jairo Brum/Jardel Borba) Quanta saudade dos meus tempos de guri Das brincadeiras de criança que eu fazia De pega-pega, pula corda e caçador Soltar pandorga ao ponto de meio-dia Quando perdi o primeiro dente de leite Fiquei chorando por ter ficado banguela Sexta-feira Santa, levantar de madrugada Sair pro campo pra recolher a macela Ir no lajeado pra buscar água de balde Revisar o anzol que deixei lá na espera Olhar a arapuca que prendeu a saracura Que comeu o milho que plantei lá na tiguera Tratar os bichos pra depois pescar na sanga Andar a cavalo de em pelo, só de buçal Terminar o eito que papai marcou na roça E estudar numa escolinha rural No escurecer cortar lenha de machado E escolher um guarda-fogo pro galpão Puxar água, cortar pasto e tomar banho Fazer os temas iluminado a lampião De madrugada botar os ossos de ponta Guri de campo não tem folga e nem feriado Fim de semana tomar um banho e trocar a pilcha Vai num fandango, mesmo sem ser convidado Ainda me lembro da menina, minha vizinha Que considero minha primeira namorada Eu guardo as cartas cheias de coraçãozinho E sinto o cheiro da sua boca perfumada Lembro da escola e da capela em que eu rezava E do bolicho que muito comprei fiado Debulhar milho pra depois levar no moinho Socar canjica para comer com melado Pegar uma abelha que se arranchou na carqueja Trocar um moirão que quebrou lá na mangueira Cangar os bois e depois botar no arado Cuidar o cavalo pra correr uma carreira Carnear um porco, depois derreter a banha Lonquear um couro para fazer um sovéu Buscar a parteira, a mamãe tá precisando Serrar umas tábuas para fazer um mundéu Participar de um puxirão de machado De vez em quando uma carreira de a pé Parar rodeio nos campos do meu avô Fazer um biongo coberto de santa-fé Encilhar um potro e colocar dois pelegões Que muitas vezes me serviram de colchão Um trinta e oito pendurado na guaica Só fazer uso em caso de precisão Quanta saudade que eu tenho da minha terra Dos meus irmãos, da minha mãe e do meu pai Só me resta recordar tudo no verso Daquele tempo que eu sei que não volta mais
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