Música e letra

Maragatos e Chimangos

Por Jorge Freitas, do álbum 30 Anos de Coxilha Nativista.

2010
Versão completa
Letra

Maragatos e Chimangos

Com um par de esporas e um par de botas garrão de potro Foram crescendo um de um lado e outro do outro. Um maragato de cruz na testa federalista E um chimango republicano que era borgista. Mas enquanto a guerra dormia e sonho crescia nos Mbororeano Que brincavam todos os dias na sua infância fazendo planos Mas o destino maleva os dois estava cuidando Pra quando crescessem seguisse o clarim e a voz de um comando Veio a revolta e lá se foram os dois soldados Dois amigos que como irmãos tinham se criado Lhe toparam de cara a cara e de frente a frente Dois valente, mas que nunca tinham brigado. Foi numa noite de tormenta e de chuva forte Que se toparam as duas forças em duras naus Numa invernada de boi criado e caborteiro Que apartou o entreveiro disparando com o temporal. E foi nesta noite que se toparam os dois teatinos, Bem no lugar onde o destino marcou E o pai de um deles que peleava ao lado do filho Disse vamos embora tu não vê que a tropa recuou. Desculpe pai um homem morre, e não recua; Vai com a tropa que eu vou ficar com o que tu em ensinou. Por serem taura os dois gaúchos era arrojados Se rebelaram pela garupa do cavalo. Peleavam brincando igual dois capinchos na enchente Dois rio-grandenses um lenço branco e um colorado Conhecer as coisas só nos ajuda livrar do perigo Prestar atenção pra mesmo na guerra não ser bandido. O chimango viu o seu lenço branco ficar tingido Com o sangue do corpo por que já vinha vindo ferido. Percebeu então quer a amizade é mais que um partido Largaram as armas e se abraçaram os dois amigos.